De “puerta en puerta” entre a Cidade da Guatemala e Portimão

Ao segundo entardecer, temerário, dei uma volta pelos bares da Cidade de Guatemala para escolher um que pudesse acolher o encontro literário desta noite* com Eduardo Halfon.
Fui primeiro ao Las 100 Puertas, e numa mesa, junto a um mural com uma caveira, “cabelo negro e curto, os olhos negros e grandes”, pareceu-me ver Aiko que me fora apresentada por Halfon num bar em Tóquio, quando ele lá foi disfarçado de escritor libanês e eu de “leitor sem qualidades”. Bebi uma cerveja Gallo ao balcão e fui procurar outro bar nas redondezas. Na Pasaje Rubio, entrei no El Portalito e pareceu-me ver os escritores Miguel Ángel Asturias e Augusto Monterroso conversando ao balcão diante de uma garrafa de aguardente Quetzalteca. Mas não, quem lá estava sentado à mesa com mais dois sujeitos de má cara, metendo à boca umas bolinhas que me pareceram ser amendoins torrados, mas que vim a saber tratar-se de “zompopos de mayo”, era Percy Amílcar Jacobs Fernández, mais conhecido por Canción, o sequestrador do avô de Halfon. Como temi ser sequestrado, saí rapidamente.
E de “puerta en puerta” na noite guatemalteca, dou comigo agora na noite portimonense, sentado em boa companhia à mesa na Taberna Porta Velha Porta Velha que acolhe a Comunidade de Leitores do ICIA, à espera que venha juntar-se a nós, disfarçado de escritor português, o escritor guatemalteco Eduardo Halcon. Não sei o que o taberneiro nos vai trazer para petiscar, mas não havendo por aqui “zompopos de mayo” nem cerveja Gallo nem aguardente Quetzelteca para acompanhar, espero que nos traga umas fatias de presunto de Monchique e uns queijinhos artesanais de ovelha e ponha na mesa uma garrafa de vinho aqui da terra. E quando, na curva da noite, viramos a última página da conversa, à falta de Quetzelteca, pois que nos sirva uns copitos de Medronho de Monchique!
* Publicado na página de Facebook de João B. Ventura em 18.11.2022.

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