Atlântica 04

Entre fronteiras de sal | João Ventura

Na atlântica 04, reinventamos uma América onde se projetam as utopias da vaga gente de há cinco séculos e dos revolucionários que procuram calar o silêncio dos cem anos de solidão.

Mergulhamos, primeiro, com os apanhadores de algas da Costa Vicentina, para, depois, subirmos à  Serra de Monchique e, numa errância pela tradição oral, recuperarmos os vilancetes glosados dos foliões das festas do Espírito  Santo, em Marmelete. Descobrimos, ainda, o Côa, «correndo teimoso entre invernos e estiagens, cioso guardador de memórias». Mas é de Luanda que nos fazemos de novo ao mar oceano, puxando os fios azuis dos achamentos na outra margem atlântica. Imaginamo-nos em navios armados com a madeira da Serra de Monchique, cruzando as mesmas rotas da vaga gente lusitana. Como João Fernandes, marinheiro portimonense e negociante em Acapulco. Ou como os mineiros escavando as entranhas dos Andes peruanos. Enchemos de sonhos uma embarcação a damos nome de Eusebel e partimos de Luanda para Minas guiados pelas estrelas do sul.

Navegamos «sem passaporte entre fronteiras por sentinelas de sal e silêncio» até aportarmos a lugares «mais remotos que Lima» que apenas vislumbramos nos confins de um mundo invisível.

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